Quarta-feira, 30 de Setembro de 2009

Férias pagas

Jorge – Necas! Estiveste de Férias onde?
Necas – Algarve. 3 semanas com a família.
Jorge – Algarve? TU? Tanta queixa… “ estou sem dinheiro” e mais não sei quê… A empresa está a correr de vento em popa, hem?
Necas – Está a correr bem… mas não tenho dinheiro para passar nem dois dias no Algarve com a família. Estive numa obra.
Jorge – Então? Não me digas que enganaste a família e no lugar de férias puseste-os a trabalhar.
Necas – E então? Qual o melhor sitio para se perder peso, fazer exercício físico e ficar bronzeado do que a trabalhar numa bela obra debaixo de um sol escaldante?
Jorge - ????
Necas – Está descansado. Fiz um negócio. Fiz uns arranjos de carpintaria e caixilharia numa casa e como pagamento passei lá 3 semanas de férias.
Jorge – BOA! Isso foi um belo negócio.
Necas – Foi nada! Maldita hora que me lembrei de levar isto a cabo.
Jorge – Então? A obra correu mal? Gastaste mais do que esperavas?
Necas – Não. A obra correu lindamente. O dono ficou muito contente. O pior foi que a casa fica num sitio cheio de “donas” cheias com mais “tunning” que os carros dos “Fitipaldis” da ponte Vasco da Gama.
Jorge – Tunning?
Necas – Sim! Siliconas, limpa-aspirações, lifetingues… lobas de 50 anos com corpos de 20. Aquilo era de virar a cabeça de um tipo.
Jorge – Importunaram -te?
Necas – Foi logo no primeiro dia. Mal me viram em tronco nú a trabalhar no jardim… “Óóóólhe! Pód-me vir dás um ajuda aqui na minha coisa que não funciona?”
Jorge – Eh lá!
Necas – Ora bem! Era sempre coisas de treta. Queriam que eu fosse lá ao jardim delas… para…  tipo… ir desapertar uma torneira que “déve’star estragada, sei lá”… e depois apalpavam-me e metiam-se comigo.
Jorge – E tu… ficaste incomodado?
Necas – Incomodado não é o termo. É mais lixado.
Jorge – Lixado?
Necas – Sim! Lixado. Porque a Maria quando soube armou uma bronca que se eu não fugisse e a deixasse acalmar durante 4 horas tinha-me pregado os tomates ao chão com a “pregadeira-de-pressão-de-ar “. Segundo nunca mais vou puder ir para uma obra destas sem a levar atrás.
Jorge – Mas ela apanhou-te com a boca na botija?
Necas – Apanhou. E por mais que eu disse-se que eu estava em cima da “dona”, com as pernas delas em volta da minha cintura, porque ela escorregou e eu tentei apanha-la e acabamos por cair os dois... ela não acreditou.
Jorge – Ao menos podia ter dado o benefício da dúvida.
Necas – Pois… não consegui explicar como deve ser é porque eu tinhas as calças ao fundo das pernas…
Jorge – Aaaaah! Assim é complicado… Mas ficou tudo bem, depois?
Necas – Ficou. Ela acalmou de momento que lhe disse que estava a trabalhar para conseguir comprar uma casa daquelas para ela.
Jorge – Bem jogado.
Necas – Bem jogado. Pois! Disse-me logo que ia passar a vigiar-me a contas para saber quando é que tinhamos dinheiro para comprar “a casa”.  Pegou numa marreta e numa estaca e foi para uma falésia prega-la no chão.
Jorge – Foi pregar uma estaca no chão? Para quê?
Necas – Parece que ainda a estou a ouvir : ” É neste sítio que quero que fique a casa! Não interessa de quem é o terreno. Vais trabalhar duro para ganhar dinheiro suficiente para comprares este terreno e fazeres uma casa onde caibamos todos e a minha mãe. Meus irmãos vão ficar verdes de inveja. Vais trabalhar nem que te esfoles, ou acordas um dia com os tomates dentro de um copo de água com gelo.”
Jorge – UI! Isso foi muito mau. Agora estás a trabalhar que nem escravo, não!? O que comer uma gaja te arranjou.
Necas – Estou nada. Continuo a trabalhar normal.
Jorge – Então e a Maria?
Necas – Está em casa a recuperar, debaixo de anti-depressivos e calmantes. Ninguém sabe de nada. Está calado!
Jorge. Recup… agora perdi-me! Porquê?
Necas – Porque na falésia onde ela espetou a estaca e onde ela insistentemente batia com o pé a dizer que era ali que ela queira a casa… ruiu e soterrou 5 pessoas que estavam na praia.
Jorge - ???? O QUÊ????.. Então aquela notícia…
Necas – ESTAVA A BRINCAR!! HAHAHA Eu nem saí daqui. Algarve? Nem em sonhos. Hehehe
Jorge – Porra! Que susto. Tu és maluco, páh!?
Necas- É! Tenho dias.
Jorge - Nunca mais me faças uma coisa dessas!
Necas – Está descansado… É até à próxima! E tu que tens feito?
Transeunte – Manuel Selva? Não esperava encontra-lo aqui. Tudo bem?
Necas – Olá… Sr…. Sr… João!
Transeunte -  Olhe! O seu serviço na minha casa em Albufeira ficou 5 estrelas. Gostou da zona?  É muito boa não é? Especialmente e vizinhança, se é que me entende. Hehe Sabe de uma coisa estranha? O meu cão desenterrou uma marreta do canteiro das flores! Por acaso não seria sua?
Necas – Não sei do que está a falar.
Transeunte – Bem deixe lá! Falamos depois. Até logo Sr. Manuel.
Jorge – NECAS??
Necas – Xiiiuuu… bebe a cerveja… bebe!

publicado por Eduardo Ramos às 14:27
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